O samba-rock e a mídia


Em um ponto todas as opiniões parecem convergir: o papel que a mídia assume na divulgação do samba-rock e como ela pode contribuir para que ele não se perca novamente. Alex acredita que, se a mídia não abraçar o estilo, ele não vai sair do gueto nem da periferia. Ao mesmo tempo que diz isso, afirma: “Graças a Deus o samba-rock não está na mídia, e eu acho que não vai entrar. O samba-rock é um movimento marginal”. Segundo ele, se entrar vai ser por outra porta, que julga muito mais interessante. A porta do povo, por exemplo. “O povo elegendo aquilo e fazendo com que aconteça de uma maneira muito mais sólida do que a mídia que se apropria de uma coisa e joga para cima para ver o que acontece”. Marco Mattoli acredita que o público esteja ficando mais exigente, e que a forma da indústria cultural impor música não está mais funcionando.

É um momento de crise. A indústria cultural nem deu espaço para o samba-rock, houve pouca abertura e veio naturalmente. O samba-rock não é nenhum fenômeno e não está, por exemplo, tocando na TV”. Skowa acusa a indústria cultural de “burra”, dizendo que os programadores de rádio, editores de jornal e diretores de gravadoras olham o povo como uma massa de manobra, como se todos fossem mal informados. “Essa letra é muito complicada, vamos fazer esta bosta, porque essa bosta é que cola. Se eles colocarem música boa para tocar com a mesma intensidade que colocam axé, sertanejo e pagode, o povo vai ouvir”. Erasmo Carlos partilha da mesma opinião: “O público acaba consumindo aquilo que ele conhece”. Alex concorda e acrescenta: “Nosso povo é carente e só consome o que eles acham que chega ‘de graça’. Cultura no nosso país é muito cara e se tornou supérflua. É caro você comprar um livro, um CD. Consumir cultura é para poucos. O povão só vai ter contato com outra realidade, se estiver massificada”. Skowa lembra que o samba-rock, assim como outros estilos da música brasileira, tem um ritmo bom para dançar, e que esse já é um bom motivo para atingir o povo, independentemente do que a letra quer expressar.

Texto extraído do site da banda Clube do Balanço

Ótimas trançadas…

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