Leo Maia fecha trilogia “Jorge” com disco voltado para suas raízes

By Samba Rock Na Veia at fevereiro 2, 2010 | 10:00 | Print

O “Sopro do dragão” é o encontro de sons que criei ao longo dos três álbuns. Dessa forma, Leo Maia resume o novo CD, lançado pela LGK Music/Som Livre. Disco traz 11 faixas inéditas e fecha trilogia “O Santo, O Cavalo e O Dragão”. Se em “Cidadão do bem”, de 2008, o funk falou mais forte, esse chega voltado para as raízes, onde o cantor e compositor une samba soul e gafieira impregnados de alma black music. Místico confesso – se sentir algo estranho no ar, ele veste imediatamente uma camisa de São Jorge – Leo Maia mais uma vez mergulha na devoção para realizar um trabalho. O disco está recheado de bom gosto. Isso ele dever ter aprendido com o pai! Em conversa, Leo fala do disco e outras coisas. Deixemos o cara falar!

Leo Maia

Por Elias Nogueira

- Como surgiu a devoção por São Jorge?
- A fé é uma coisa que não tem explicação, mas este santo me ajuda na luta do dia a dia.

- Fale como surgiu a idéia de fazer uma trilogia “O Santo, O Cavalo e O Dragão”.
- Como sou devoto de são Jorge, na mesma época que estava gravando o meu 1º CD nasceu meu filho “Jorge” então pensei, esse disco irá se chamar “Cavalo de Jorge”. Depois veio o 2º, Cidadão do Bem. Quis viajar nessa história de Jorge o homem da luta e da fé…

- “Sopro do Dragão” demorou quanto tempo até ficar pronto?
-Um ano e meio. Logo depois do “Cidadão do Bem” comecei a compor as canções novas, estou sempre compondo e misturando sonoridades

- “Sopro do Dragão” vêm com músicos de primeira. Foi você quem escolheu?
- Sim! São pessoas que admiro muito. Sou fã, mesmo, do trabalho de cada um e adorei os dias em estúdio que ficamos gravando no Rio de Janeiro, e também a minha gravadora, a LGK, Som Livre, e o Liber Gadelha, que considero meu pai musical.

- Quem te influenciou?
- Eu ouvia os discos das décadas de 40 e 50 que meu pai escutava – blues, música latina, música cubana, sambas antigos, Cartola, Nelson Gonçalves, Luiz Gonzaga, os sambas da Velha Guarda, chorinho – tudo isso eu ouvia na gafieira no Rio de Janeiro.

- Você compôs nove faixas. Poderia fazer um breve comentário?
- Coloque-me na posição de fazer as dançantes. Fiz, apenas, uma balada com mestre Jerônimo, e quis homenagear a gafieira, que é o encontro de vários sons que fazem minha cabeça.

Canções:

“Eu gosto mesmo de namorar”
- É o meu lado mais romântico, falo do prazer de estar apaixonado e não ficar por ficar.

“Ela dança gafieira”
- Lembra muito minha infância, contato com a Estudantina, Circo Voador, a Lapa, Baile Charme. Mexeu com minha cabeça e venho misturando com samba soul e funk.

“Agora você volta”
- Tem uma pegada romântica, mais dançante. Canção da safra antiga tem mais dez anos. Lembrei dela e achei que tinha haver com o repertório. E tinha!

“Seda chinesa”
- Funk nervoso, pra frente, com violão e guitarra na cara! Muito legal essa canção, trata da admiração da simplicidade das coisas que fazemos todos os dias e que aos olhos de quem nos ama tudo é mágico.

“Funk na laje”
- É o gueto funk cadenciado, malandro, tira uma onda na laje, lugar sagrado de quem é de comunidade, onde rola o som, o churrasco, o banho de sol…

“Amor à moda antiga” com seu Jorge
- Esta canção eu tinha feito há um tempo, mas não tinha terminado a letra. Fui à casa do seu Jorge e saiu ali, na hora. Ele me deu a honra desta parceria.

“I go i go”, com Cássio Calazans
- Samba rock com pegada – violão, guitarra e metaleira! Uma letra bem humorada tratando de um assunto da vida, em NY.

“Amor em movimento”, com Jerônimo
- Uma grande oportunidade ter como parceiro um mestre da música popular brasileira num trabalho que representa tanto para mim.

“Bendita Gafieira”, com Otávio Mouro
- Pessoa maravilhosa. Falei esta letra para ele por telefone ele disse: – Tem um lance aí. Assim nasceu Bendita Gafieira.

- Têm outras que são de compositores conhecidos – “Revanche” (Hyldon/Jorge Ailton), “Sorriso falso” (Lincoln Olivetti/Ronaldo Barcellos) e “Relva verde” (Junior Barriga/Beto Petê). Como isso aconteceu?
- São canções que gostaria de ter feito, daí veio à vontade de cantá-las. Todas são muito lindas. Deu um prazer enorme trabalhar com estes compositores, novos parceiros para o futuro.

- Tem como falar das regravações?
- Claro! Estas canções eu as conheço há muito tempo, e foi tão natural colocá-las no repertório que aproveitei o momento deste trabalho e poder interpretá-las com novos arranjos feitos pelo maestro Julinho Teixeira, grande músico, adorei a sonoridade do trabalho. O figurino da capa é Cavalera e Ray-Ban.

Fonte: Elias Nogueira – eliassnogueira.blogspot.com

Samba rock é cultura, passe adiante.
Samba Rock Na Veia

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