A origem do samba rock e sua influência nos bailes blacks


Em 1959, os compositores Gordurinha e Almira Castilho criaram a expressão samba rock na música Chiclete com Banana, gravada por Jackson do Pandeiro. Porém, o encontro do samba com o rock por eles previsto só aconteceria na década seguinte, quando Jorge Ben se uniu aos integrantes do Trio Mocotó e “a batida encaixou”, como Nereu, um dos fundadores do Trio, gosta de dizer. Assim, a batida urbana que deu origem ao samba rock como se conhece hoje foi criada por Jorge Ben e, a princípio, chamada por ele de Sacundin Sacunden. Mais tarde, na época da Jovem Guarda, o gênero ficou conhecido como jovem samba e depois sambalanço.

Divulgação - Foto: Nego Júnior/Samba Rock Na Veia

Divulgação – Foto: Nego Júnior/Samba Rock Na Veia

A partir dos anos 70, foram agregados ao samba tradicional os instrumentos elétricos das bandas da Jovem Guarda e arranjos do rock e da soul music. A partir de então, os termos suingue e samba rock passaram a ser os mais utilizados. Inspirados por sua batida peculiar, uma série de artistas se apropriou dos instrumentos elétricos das bandas da Jovem Guarda para tocar o velho balanço em novo estilo. Jorge Ben, novamente, teve a primazia nesse campo, fazendo-se acompanhar dos Fevers em seu disco de 1967, O Bidu – Silêncio no Brooklin.

Nos anos 70, a voz potente de Tim Maia popularizaria o samba soul, emplacando dois sucessos nesse estilo: Réu Confesso e Gostava Tanto de Você. Jorge Ben Jor teve uma queda para o funk a partir do disco A Banda do Zé Pretinho (1978), mas artistas por ele diretamente influenciados seguiram a sua orientação anterior, com muito sucesso em bailes do subúrbio carioca. É o caso de Bebeto (O Negócio é Você Menina, Flamengo) e de Serginho Meriti. Em São Paulo, os bailes de periferia também ferviam ao som do samba rock suingue.

Começo em bailes black

O samba rock passou a década de 80 e 90 praticamente fora da mídia, mas nunca desapareceu. Estava presente nos bailes black e bailes “nostalgia”, de equipes de som tradicionais, como Chic Show, Mistura Fina, Musicália, Os Carlos e várias outras. A partir de 2000, o samba rock voltou a ser admirado nos circuitos universitários, entrou em trilha de programas da MTV, começou a voltar às festas e para a mídia em geral.

Nesta época, o Clube do Balanço ajudou a levar o samba rock da periferia dos guetos paulistanos para um bairro boêmio (Vila Madalena). O sucesso foi imediato e, em 2001, a banda lançou seu primeiro CD, promovendo o encontro de artistas como Erasmo Carlos, Bebeto e Marku Ribas, com uma nova geração que revisitava grandes clássicos, como Paula Lima, Simoninha, Seu Jorge e Max de Castro.

Atualmente, grupos, cantores e djs de samba rock têm espaço garantido em bares e espaços culturais paulistanos e em outras capitais do País, como Clube do Balanço, Farufyno, Sambasonics, Augusto Suingue, Os Opalas e Sandália de Prata, além dos veteranos Tony Hits, Luiz Vagner, Gringo e Kri. Assim, o samba rock, antes restrito ao gueto dos bailes, ganhou o foco da mídia e conquistou o público novamente. “Muitas músicas só existiam no vinil e, graças ao trabalho dos djs, que tocavam essas músicas em bailes, o público foi crescendo”, conta o músico.

Fonte: Arte Plural Web

Samba Rock Na Veia
Samba rock e outras culturas

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