O Samba Rock Plural por Andréa Garbim


Domingueira de Samba Rock ferve a Casa das Caldeiras com mais de mil pessoas

Quem esteve presente no evento Samba Rock Plural, no último domingo, dia 22, já deve ter uma noção da quantidade de coisas boas que eu vou comentar aqui. Em sua 3ª edição, o Samba Rock Plural lotou o charmoso e aconchegante espaço da Casa das Caldeiras, com cerca de mil pessoas entre jovens, adultos e crianças. Mantendo o conceito de pluralidade, os organizadores do evento uniram diversas atividades relacionadas ao samba rock como: oficinas gratuitas, exposições, aulas de dança e grafite.

Samba Rock Plural - Divulgação

Samba Rock Plural – Divulgação

Nego Júnior, idealizador do projeto Samba Rock Na Veia e um dos organizadores do Samba Rock Plural, conta que umas das inspirações para a concretização do evento foi a Feira Cultural Preta – um dos maiores encontros da América Latina. “O Samba Rock Plural nasceu aqui na Casa das Caldeiras, em 2012. Desde o início a ideia do projeto é atrelar linguagens artísticas com ‘flerte’ no samba rock. Na primeira edição tivemos um sarau de poesias e na segunda organizamos grupos de dançarinos que disputaram os melhores nós”, relembra Júnior.

Esse ano, a ‘pitada’ especial foi o conjunto de entretenimento e acesso à cultura, a começar pelo Fórum sobre a 1ª Mostra Cultural de Samba Rock de São Paulo conduzido pela professora Paula da Paz, idealizadora do projeto contemplado pelo Programa de Valorização de Iniciativas (VAI) da Secretaria Municipal de Cultura. A Mostra acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de novembro, na Fundação Nacional de Arte (FUNARTE). Segundo Paula, o objetivo da Mostra é marcar uma nova fase de fortalecimento do movimento. “Até o mês de outubro, haverá um fórum por mês e desses encontros pretendo extrair o máximo de informações, enriquecendo o conteúdo da Mostra”.

No Salão dos Tanques, a professora Vanessa Oliveira organizou a Oficina de Giros com técnicas desse indispensável passo do samba rock. Na pista, próxima ao palco principal, o professor Sugus, do Clube do Samba Rock, também fez um ‘aquecimento’ com a galera. Sugus dá aula na Cia Paidéia de Teatro, juntamente com o professor Gugu Reis. Tá aí uma boa dica para quem quer aprender a dançar. Vale a pena conferir http://on.fb.me/1jOxgS4.

Até aqui a festa estava apenas começando e os DJs André Leal e Arlindo Pereira mandaram muito bem na discotecagem. André começou sua carreira em 1990 e tocou pela primeira vez na Casa das Caldeiras, em 2011. “Esse ano tive a alegria de ser convidado pelo Nego Júnior que já conhece um pouco do meu trabalho”. Arlindo toca em diversas casas noturnas desde 1980 e, atualmente, faz parte do Projeto Soul Samba Rock. “Foi um prazer participar desse evento tão importante”, salientou.

Nas intervenções, a dançarina Vanessa Soares veio com tudo emocionando o público com movimentos afro contemporâneos e poesia. A artista integra a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop e é produtora da ONG Central Única das Favelas (CUFA) de São Paulo.

A equipe Studio Samba Rock trouxe um toque de modernidade na apresentação intitulada ‘Cyber Samba Rock’. Em seguida a banda Maverick Soul tomou conta da festa com sucessos dos renomados Seu Jorge, Tim Maia, Bebeto, Jorge Benjor, Branca di Neve, Jair de Oliveira e outros ícones da Música Popular Brasileira (MPB).

Izaías dos Santos ao centro

Izaías dos Santos ao centro

E foi dando um giro pela pista que conheci o Izaías dos Santos – um cara muito especial, de 29 anos, que não ficou parado um só minuto. Em 2000, Izaías perdeu o movimento das pernas em decorrência de uma bactéria que afetou sua coluna. Mas em nossa conversa, pude notar sua força de vontade para realizar seus projetos pessoais. “No começo eu saía para os bailes e não gostava de ficar parado olhando as pessoas dançar; foi então que uma amiga me incentivou a fazer aulas. Como eu já praticava basquete, abracei esse desafio e hoje não passo vontade”.

Confesso que foi o momento mais emocionante do evento para mim! Um aprendizado incrível conhecer um pouco da história desse jovem que, antes de dançarino é atleta profissional, há três anos, da Federação Paulista de Basquete Sobre Rodas (FPBSR). “As pessoas me veem dançando e ficam impressionadas e o que eu tenho para dizer é que: o segredo é sair de casa e ir à luta. Dentro de casa a gente não consegue nada”, respondeu com risos, o meu novo amigo.

Andréa Garbim e Alekysinho

Andréa Garbim e Alekysinho

O professor e integrante do Grupo SP Rock, Alekysinho, também marcou presença no Plural. Alex já foi vencedor dos prêmios ‘Melhores do Ano’ do Maavah Bar (em 2011), ‘Placa de Platina Mary Pop e Dj Tadeu’ (em 2012) e o ‘Oscar do Samba Rock’, (em 2013). Hoje participa de workshops, campeonatos e dá aulas, aos sábados, como voluntário para pacientes do Hospital Emílio Ribas. “A primeira apresentação do nosso grupo foi aqui na Casa das Caldeiras e eu tenho um carinho muito especial por esse evento que nos deu espaço para mostrar nosso trabalho em equipe”. Alekysinho é um dos apoiadores do Projeto de Lei (em fase de aprovação) que cria o Dia do Samba Rock. O objetivo é conquistar um dia no calendário de eventos oficiais do Estado de São Paulo. O Dia do Samba Rock é uma ação cultural de peso que já aconteceu no Vale do Anhangabaú, Metrô São Bento e na Marquise do Ibirapuera, em maio desse ano http://on.fb.me/1v65B4F.

O grafiteiro Roberto Krust, agente cultural do Centro Cultural Monte Azul, trouxe muita cor com o dom da arte. O resultado da criação desse jovem artista vocês podem conferir na galeria de fotos ou na página http://on.fb.me/UJMWRc. “Foi uma experiência única poder participar de um evento inovador que somou dança, arte, lazer e contribuir com a minha arte, trocando ideias com a galera do samba rock”.

Em outros pontos da festa, a brinquedoteca realizou a oficina de desenhos da Fábrica Cartoon, fazendo a alegria da criançada. O desenhista e publicitário, Rafael Sanches, trabalhou o imaginário e a criatividade dos pequenos, resgatando antigos desenhos animados. No Túnel, a exposição ‘Elos do Samba Rock’ reuniu uma galeria de fotos feita pela equipe do Samba Rock na Veia, em diversos eventos.

Estande da grife Xongani Arte com Tecido

Estande da grife Xongani Arte com Tecido

Presente desde a primeira edição do Samba Rock Plural, a Xongani Arte com Tecido trouxe todo seu charme e tradição com peças artesanais entre anéis, brincos, boinas, colares, faixas, pulseiras e turbantes – tudo produzido com tecidos africanos. A oficina de turbantes da Boutique de Krioula deu dicas para a mulherada sair ‘arrasando’ com o acessório e com as peças da Márcia Colares.

O estande Camisetas Cabelo Duro reforçou a ideia da valorização da imagem do negro; assim como a Negafulô e a Lúcia Makena com as bonecas negras, chaveiros e bolsas. A Kixikki com turbantes em diversas cores. Olha aí mais um diferencial: o Samba Rock Plural incentivando a economia criativa – que tem como referência a criatividade e a cultura. Tudo que envolve criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o capital intelectual é economia criativa – mais uma importante característica do conceito de pluralidade que o evento transmite em sua identidade.

Bom, deixo aqui um pouquinho do meu olhar sobre essa primeira experiência com a cultura do samba rock; e fecho meu comentário com imenso carinho e gratidão por toda a equipe do Plural que me concedeu a oportunidade de participar da cobertura desse evento tão grandioso e especial. Foi instigante entrar nesse mundo, pesquisar o assunto, entrevistar a galera que vibra só de pensar em samba rock; e claro, conhecer mais sobre esse estilo que simboliza a maior manifestação da cultura negra urbana de São Paulo.

“Tenho certeza de que não aprendi tudo, mas tenho convicção de que aprendi muito!”
Viva o Samba Rock!

Andréa Garbim é Jornalista, Pós-Graduada em Marketing e Comunicação Integrada pelo Mackenzie. Trabalha como Assessora de Imprensa desde 2008 e atualmente integra a equipe de Comunicação da Secretaria Municipal do Trabalho da PMSP.

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