Samba rock é registrado como patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo


Nesta sexta-feira, 11 de novembro de 2016, o samba rock foi registrado como patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo pelo CONPRESP; a iniciativa contou com a união de militantes do movimento, apoio político e Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial.

O samba rock surge nos bailes de comunidades da população negra residente nas periferias da cidade de São Paulo no final da década de 1950. Excluídos do circuito cultural, os negros organizavam seus próprios bailes com códigos, cultura e música exclusivos. Uma mistura urbana de samba, bossa nova com rock, swing e jazz norte americanos além também de música latina.

Foto nas instalações do CONPRESP - Crédito: Kika Silva

Foto nas instalações do CONPRESP – Crédito: Kika Silva

Na impossibilidade de se contratar uma orquestra, estes bailes inventam de maneira pioneira a figura do discotecário, personagem que iria ser chamado futuramente de DJ, e passa a ter um papel fundamental na história da música popular mundial. Discotecários como Seu Oswaldo, estão entre os primeiros DJ’s da história.

No espaço ritual do baile, surge a dança do samba rock, residente apenas em São Paulo. Este estilo único de dança de salão é praticado há várias gerações, ensinado de pais para filhos e está presente em casas noturnas, clubes, centros culturais entre outros, nas regiões centrais e também nas periferias da cidade.

Dentro desse contexto é possível reconhecer a origem do samba rock como dança e posteriormente alegar ser, também, um estilo musical com o surgimento de músicos e bandas criando seu som genuinamente tido como samba rock, pois no início não existia um estilo musical propriamente chamado assim. No baile se ouvia e ainda se ouve samba, bossa nova, jazz, swing, soul etc., era e é o discotecário (DJ) o personagem responsável em definir qual música dentro de cada estilo servia à prática da dança. Mais recentemente, depois que o samba rock se consolida como gênero musical, artistas começaram a criar conscientemente um repertório para o baile. Por exemplo o cantor Branca di Neve (1989) e a banda Clube do Balanço (2001), trazem o samba rock para uma nova geração de adeptos presentes em diferentes classes sociais.

Foto nas instalações do CONPRESP - Crédito: Nego Júnior

Foto nas instalações do CONPRESP – Crédito: Nego Júnior

Atualmente a dança foi formatada para o ensino didático em academias e inúmeros eventos, bandas, produtores de festas, coletivos de dança recriam e mantém essa cultura viva.

O registro

Em 2010, três personagens atuantes dentro do movimento samba rock (Jorge Yoshida, dançarino; Marco Mattoli, músico; Nego Júnior, produtor), começam a discutir a ideia de propor ao município o registro do samba rock como um patrimônio cultural imaterial, inspirados pelos registros do samba do recôncavo (2004), do samba carioca (2007) e do funk carioca (2010). Nesta data começam a articular possibilidades e anos seguintes criam uma página no Facebook sobre o tema. No final de 2014, diversas lideranças de coletivos, bandas, produtores, políticas etc. se organizam e realizam uma série de plenárias junto à Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial com o intuito de redigir um projeto de lei e eleger um conselho de samba rock para fazer parte de uma associação já atuante em projetos junto ao poder público. Nestas reuniões foi também criado um grupo de trabalho para pesquisar e redigir uma proposta de registro do samba rock via poder executivo.

Devido a algumas movimentações políticas o processo ficou aguardando uma nova oportunidade de ser retomado, fato este que aconteceu este ano com o apoio da SMPIR novamente, porém agora, na figura do secretário Maurício Pestana e equipe responsável a cuidar do caso coordenada pela assessora Valéria Leão.

Inúmeros documentos, fotos, flyers antigos, trabalhos acadêmicos, documentários em vídeo, depoimentos etc., foram reunidos com participação intensa de diversos agentes da cultura, equipes de bailes, famílias, artistas e militantes ligados ao estilo.

Flyer antigo - Acervo Tony Hits

Flyer antigo – Acervo Tony Hits

Após a reunião de toda a documentação, foi data a entrada do registro no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo — CONPRESP. O registro foi votado hoje, 11 de novembro, pelos conselheiros que registraram o samba rock como patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo por unanimidade.

Mais informações
Facebook – www.facebook.com/sambarockpatrimonioculturalimaterial
Email – sambarockpatrimonio@gmail.com

Samba Rock Na Veia
Arte, cultura e lazer na levada do samba rock


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